domingo, 29 de janeiro de 2012

Manoel

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Momento futilidade

Tão necessária quanto uma chave de fenda.
Vi no jornal uma matéria sobre como cuidar das botinhas de couro e achei bom repassar, afinal, passaremos meses e meses agora sem colocá-las em uso. Então, olha a dica! Pra deixá-la limpinha e bonita, com cara de nova, passe hidratante nas botinas com papel toalha. Sim, hidratante corporal. Gostou? Um vendedor de loja em sampa ensinou e mostrou que ficam mesmo limpas e lindas. E se sua bota for de verniz, a dica é mais simples ainda, e barata. Passe óleo de cozinha com papel e ela parecerá saída da loja! É assim mesmo que se cuida das suas botinas! Não guarde seus xodós amassados, se for de cano alto então, enrole um papel mais duro, como cartolina e coloque dentro, mantendo a forma, o couro amassado fica com cara de velho, usado. Mas, se no próximo inverno você achar que mesmo com cara de nova, sua bota não te satisfaz mais, sou parceiríssima pra você correr nas lojas e adquirir a da nova coleção!!!!!!! Amo vocês! Beijos

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A tristeza permitida


Pegando emprestado do blog de uma amiga querida:

"Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho colocar uma roupa, ir pro computador, sair para compras e reuniões – se eu disse que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela pessoa que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alergia, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou com si mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down ...”. Lembra da música? Cazuza ainda dizia lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. "Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreende-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais dor – até que venha a próxima, normais que somos".

20 de novembro de 2005

(MEDEIROS, Martha. In: Doidas e Santas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010, p.21-23.)

Para minhas queridas amigas, normais que somos
Cerejeres

domingo, 17 de julho de 2011

Cês tão querendo rir um cadin? Não sou muito fã de mandar piada, mas eu ri tanto sozinha que quis compartilhar, e quando no telefone pra começar a ler e gargalhar junto, pensei, uai, vou compartilhar no nosso cantin... então:

Avisos fixados numa igreja de Curitiba.


Todos eles são reais, escritos com boa-vontade e péssima redação.

Obs.: Cristo Rei é um bairro da cidade.

AVISO AOS PAROQUIANOS

Para todos os que tenham filhos e não sabem,
temos na paróquia uma área especial para crianças.

O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham nos aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!


Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco.


Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra Hamlet, de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar

parte nesta tragédia..

Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa.
Tragam seus maridos!


Assunto da catequese de hoje:
Jesus caminha sobre as águas.
Assunto da catequese de amanhã:
Em busca de Jesus.


O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.


O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.


O preço do curso sobre "Oração e Jejum" não inclui as refeições.


Por favor, coloquem suas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados.

Harry


Flowers from my garden!

Ontem fiz um dos melhores programas de sábado, depois do tradicional sambinha na São Salvador: sessão da meia noite no cinema! Foi pra assistir o filme que encerra a saga Harry Porter, em 3D. Recomendo vivamente!

E se a gente olhar o Voldemort com calma, dá até pra achar os olhinhos bonitos do Jardineiro Fiel, vê lá... Tu não me engana, não, rapá! rs

Beijos,

Flor de cerejeira

sábado, 16 de julho de 2011

Para pensar

- artigo da Eliane Brum, publicado na revista Época

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.


Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.


Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.


Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.


Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.


É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?


Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.


Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.


Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.


A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.


Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.


Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.


Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.


Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.


O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.


Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.


Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.


Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.


Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.


(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

1001 opções de boa música


Uma das melhores coisas pra passar o tempo é olhar vitrine de livraria. Melhor ainda é entrar, abrir páginas a qualquer sorte e ler pedacinhos do miolo de algum livro. Pois fiz isso outro dia e, comentando a façanha, descobri um link que fará a alegria dos nossos ouvidos. "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" está em promoção na Saraiva, caso queiram fazer essa preciosa aquisição, e disponível para ser ouvido na página http://nobrasil.org/1001-discos-para-%20ouvir-antes-%20de-morrer/

Aproveitem!!

Beijos cerejíssimos

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Azaléia


para minhas queridas flores, uma flor que assistiu muitas histórias da minha infância, na frente da minha janela

boa semana!

beijos cerejosos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Nossa Intimidade


Bonitonas!

Esse final de semana fui "apresentada" a esse tal de Ivan Martins. PAssei boa parte da minha noite de domingo lendo sua coluna. Leiam duas em especial: O dono do manual e Homem com pegada! Pra quem não foi apresentada, eis aqui:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI62489-15230,00-NOSSA+INTIMIDADE+IVAN+MARTINS.html

Aproveitem

Beijos

Camélia

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A flor e seu nome

"Mas o que impressiona mesmo no amor-perfeito é o nome. Que responsabilidade, meu filho! Há por aí uma planta chamada de amor-de-um-dia, que não carece muito esforço para ser e acontecer, como doidivanas. Outra atende por amor-das-onze-horas e presume-se como sua vida é folgada. Há também amor-de-vaqueiro, amor-de-hortelão, amor-de-moça, amor-de-negro... muitos amores vegetais que desempenham função limitada. Mas este aqui não tem área específica, não se dirige a grupo, ocasião, profissão. É absoluto, resume um ideal que vai além do poder das flores e dos seres humanos.
Que sentirá o amor-perfeito, sabendo-se assim nomeado? Que tristeza lhe transfixará o veludo das pétalas , ao sentir que os homens que tal apelação lhe dera não são absolutamente perfeitos em seus amores? Que aquele substantivo, casado a este adjetivo, sugere mais aspiração infrutífera da alma do que modelo identificável no cotidiano?
A tais perguntas o sóbrio amor-perfeito não responde. O outono tampouco. Talvez seja melhor não haver resposta".

carlos drummond de andrade, disse a flor de cerejeira

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Desabafo de uma flor



Já falamos de primaveras, de flores despetaladas, de sofrimentos, de vida nova...

Hoje me preocupam mesmo as sementes. Não todas! Especificamente essas que são jogadas ao vento e caem em terrenos pedregosos, quase sem condições de se desenvolver. Essas semeadas a mercê da chuva abundante, do solo infértil, do sol escaldante...

Sementes que crescem entre as mais belas flores, que esperam sobras da água e dos raios de sol ou que forçam passagem entre os arbustos. Essas a quem chamam de sementinhas-do-mal, e como tais, precisam ser ceifadas para não se transformarem em ervas daninhas (Escuto esse termo desde pequena e, embora não soubesse exatamente o que significava, sabia que não era boa coisa).

Uma pequena pausa para o momento wikipédia: “Uma planta é considerada erva daninha quando nasce espontaneamente em local e momento indesejado, podendo interferir negativamente na agricultura”.

Sim, são essas que me preocupam! Como também me preocupa entender o que seria local indesejado ou interferir negativamente na agricultura. Não seria o Jardim de todos? O sol não brilha para todos? E a chuva? Acreditem, meus amigos, a primavera não é pra todos!

Trabalho com essas sementes, as vejo dormindo nas ruas...e por vezes também tenho medo que me roubem a água ou a luz! Mas olhando com cuidado podemos ver: são apenas sementes!!! E se queremos que cresçam florindo e perfumando, é preciso que cuidemos delas! Ou nos perguntar se não somos nós as ervas daninhas!

P.S. Desabafo de um flor que enfrentou a primeira rebelião das "sementes do mal"


beijos da Camélia



domingo, 31 de outubro de 2010

Convocação das flores!

domingo, 24 de outubro de 2010



Meninas,
o feriado está chegando e nada melhor do que pensar em viajar!
A primeira opção foi Ibitipoca MG. Chegamos a conclusão que seria um ótimo destino, se soubessemos mais sobre o local...rs! E como não conseguimos ter tantas informações, fica pra uma próxima vez!
Então porque não pensar em um lugar mais próximo e tão bonito quanto? E chegamos à Arraial do Cabo RJ!!!
E Por isso estou aqui para convocar, convidar, implorar, pra irmos todas juntas...o que acham??
Espero ansiosa respostas das flores do cantim da jardineira!
bjs
Tulipa

Primavera dos livros

sábado, 23 de outubro de 2010



Na boa companhia da nossa querida Tulipa, visitei hoje a feira de livros que acontece nos jardins no Museu da República: Primavera dos Livros. Vale a pena conferir!

Flor de cerejeira

A flor do dia

sábado, 23 de outubro de 2010

Oi, meninas floridas!Estou chegando e pra começo de conversa tenho que dizer o quão difícil foi escolher minha flor! E concluí! A minha flor é, ou melhor, são duas: a flor de jaboticaba, nem preciso dizer porque, mas se querem porquês... a jaboticabeira é minha árvore, me abraçou desde os 2 anos de idade e acompanhou meu crescimento, quando eu não alcançava aquele galho alto, e mais tarde, quando não cabia mais entre os galhos de espaço mais apertado! A flor branquinha era prenúncio de felicidade, e naquela época de árvore florida, era a única em que ninguém se empolerava nos galhos, respeitava a árvore prenha. E via de mansinho o tempo passando, a florzinha virando uma bolinha verde, que ficava maior, misturava a cor até virar uma bola preta vistosa, um olho de boi! Gosto! Uma florzinha que vira fruta! Ficou em mim a coisa do tempo pra amadurar! A outra é o antúrio! Minha casa também era cheinha dessa, tem vermelha e branca! Uma flor de uma pétala só! A flor preferida da minha mãe! Afinal, sou a flrzinha da mamãe hihihi... Pensando que cada dia eu sou uma, nada mais justo do que ajustar a flor ao dia, as flores companheiras ficam de acordo com esse capricho? Pra mim, não vejo outro jeito! Ai, essa alma artista!!! hahahahaha

Primavera...


sexta-feira, 22 de outubro de 2010
À flor de cerejeira,
Dizem os dicionários que a primavera é a estação do ano que sucede o inverno e antecede o verão. Tecnicamente, “principia quando o Sol alcança o equinócio de setembro (dia 22) e termina quando ele atinge o solstício de dezembro (dia 20)”.
Para os poetas é a vida se renovando e trazendo as cores e perfumes de volta. E ela chega mesmo após os invernos mais rigorosos.
Já dizia Cecília Meireles:
“Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação. [...]Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.”
Então não se preocupe, a natureza é sábia. Após as folhas amarelarem e as pétalas caírem no outono, mesmo após as podas das árvores no inverno, sempre chega a Primavera. Fiquemos atentas às flores dos jardins, as cores e aos perfumes...
Em breve chega o verão, o calor e... o Carnaval!!!
Dizem ainda, que cerveja é um ótimo fertilizante..e também, que plantas crescem mais belas com conversas e com música, principalmente samba! Ouvi dizer...não custa tentar!!!
beijos pras "frô" do meu jardim!
Camélia

A dor da perda

quinta-feira, 21 de outubro de 2010
A dor da perda - Será possível escapar de uma grande dor? Não. Mas existem maneiras de atravessar esse duro capítulo da vida. E, quem sabe, encontrar um lugar justo para abrigá-lo no coração.
Da cerejeira despetalada, buscando encontrar um lugar justo no coração

Flores no Rio de Janeiro

quinta-feira, 14 de outubro de 2010





Cama, mesa e banho com João

quarta-feira, 13 de outubro de 2010






Minhas sugestões, espero que gostem!
Beijos da Flor de Cerejeira

Primeiro plantio

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Queridas flores desse jardim,É com alegria que inauguro o primeiro post desse blog. Nesses tempos de tempo tão curto, vamos criando outros espaços de convivência e troca. Que aqui seja mais um deles!

Beijos

Flor de cerejeira

Florescendo e aprendendo

Queridas flores,

Depois de conversar com um passarinho que sabiamente me instrui em muitos aspectos dessa vida (inclusive no quesito música, vou partilhar umas coisas que ele me deu pra ouvir), entendi que é preciso criar uma conta única para que a assinatura seja a mesma. Então, publiquei novamente todos os posts, mantendo a data em que eles vieram pra net, e estou mandando o login pra vocês. Vamos usar apenas este agora. E vamo-que-vamo!

Beijos saudosos,
Flor de Cerejeira